Por Alan Caldas (Editor)
É o que parece.
Décadas atrás, era fácil de compreender a sociedade.
Pensando em como ela era, concluíamos que a quintessência do “ser social” que tínhamos se resumia a hospitais, asilos, presídios, quarteis, fábricas, algumas roças, um comércio pífio e umas poucas sociedades culturais.
Aquele ser humano que tínhamos nascia programado para viver. Não vivia a vida dele. Vivia a vida dos antepassados dele. Fazia coisas de tal e tal modo porque os outros antes dele assim o tinham feito.
Não se vivia uma vida “própria”. Uma vida “nossa”. Se vivia a vida “dos outros”.
Se nascia. Se estudava. Se trabalhava. Se namorava. Se ia na Igreja. Se casava. Se tinha filhos. Se envelhecia. E se morria. Tudo bem programado pela vida dos outros que viviam antes de nós.
Senhoras e senhores, sinto dizer:
– Essa sociedade acabou. Ela ainda existe como resquício do tempo antigo, aqui e ali, mas já não existe.
A sociedade agora não é mais assim. Temos outra sociedade. A sociedade fitness, com prédios, aeroportos, shoppings centers, tecnologias surgindo da noite para o dia e muito, mas muito laboratório de genética.
Antes era a sociedade disciplinar. Agora é a sociedade de desempenho. O “sujeito obediente” já não existe. Agora ele é um sujeito de desempenho e produção. É empresário de si mesmo.
Aqueles muros da “disciplina” foram derrubados. São escombros. E o normal e o anormal, que era bem visíveis décadas atrás, hoje já não existem mais.
Agora há “outros” normais. E outros “anormais”. E se não entender isso você está arcaico, está velho de século.
A mudança da disciplina para o desempenho gerou transformações psíquicas radicais em nós e em nossos filhos.
Nem imaginamos como serão nossos netos e bisnetos.
Nossos tataranetos, provavelmente nascerão em incubadoras, sem esse conceito de “família” que, embora capenga, ainda temos hoje.
Mudou tudo. A sociedade de “controle” que dava a falsa ilusão de “segurança”, se tornou tão negativa e tão velha, tão ultrapassada que já rimos de nós mesmos quando falamos nela.
A sociedade da “proibição”, do “você-não-tem-o-direito-de” tinha tanta negatividade que foi explodida psiquicamente na esmagadora maioria das pessoas.
Agora é a sociedade de projeto, agora é a sociedade de iniciativa, agora é a sociedade de motivação.
É isso. Ou você estará fora do mundo, vivendo algo que já não existe.
E pode ir se acordando.
Isso não é pesadelo. É real.