Por Alan Caldas (Maceió – Alagoas)
Praias com água morninha e cristalina. Temperatura média anual de 25°C. Povo gentil, sorridente e atencioso. Ruas e praças limpas. Segurança de dia e de noite. Prédios lindos. Preços honestos.
Maceió é um encanto.
Dá vontade de morar aqui!
A história registra que o nome Maçayó é tupi. Significa “aquele que tapa o alagado”. O alagado são as lindas lagoas daqui, a do Mundaú e a da Manguaba.
Maceió tem 1 milhão de habitantes. Mas o estado de Alagoas inteiro tinha população originária, antes dos brancos europeus. Estavam aqui os povos Caités, Potiguar, Tabajaras, Carijós, Cariris, Jucurús e vários outros.
Os Caités foram (até hoje sem prova) acusados de matar e comer o bispo Dom Pero Fernandes Sardinha, que ao excomungar o filho de um ricaço foi expulso do Brasil. Na saída, o barco dele naufragou na costa de Maceió. A história é mal contada, porque as águas aqui são tranquilíssimas. Mas a Coroa aceitou.
A morte do bispo desencadeou a monstruosa perseguição de extermínio dos povos indígenas.
Essa perseguição acabaria criando pequenos agrupamentos de população “branca”. E deles surgiriam povoados e “Vilas”, que é como juridicamente se chamavam as cidades.
No início, a região de Alagoas pertenceu à Capitania de Pernambuco e a sede, aqui, era a Vila das Alagoas, que ficava na atual cidade de Marechal Deodoro.
O registro mais antigo de Maceió é de 1611. Mas foi só em 1711 que, devido a expansão do cultivo da cana e refino do açúcar, foi criada a Comarca de Alagoas, dando estrutura jurídica ao território.
A primeira ocupação aqui da cidade foi a hoje praia de Pajuçara, onde ficam agora as jangadas que levam às praias naturais, dentro do mar, quando a maré baixa.
Para Deus abençoar a comarca que surgia, foi construída a capelinha em homenagem a Nossa Senhora dos Prazeres, hoje padroeira de Maceió
Em 1673, Portugal mandou construir um porto aqui em Maceió. Queria proibir o comércio ilegal de pau brasil. E esse porto permitiu a Maceió se desenvolver. Virou o ponto principal de escoação da região. Saía daqui açúcar, mandioca, pau Brasil, couros, tudo que ia em direção ao Velho Mundo.
O progresso foi imediato. A região cresceu ao redor de engenhos que exploravam a mão de obra escrava africana.
O porto foi assim por 135 anos, e em 1808 a história mudou para ainda melhor. Em 1808 a Coroa de Portugal se mudou para o Brasil e aqui abriu os portos às nações amigas. Jaraguá, em Maceió, foi um desses portos.
Com isso, chegaram os ingleses, trazendo novos métodos. O comércio ao redor do porto de Maceió cresceu. E a população também.
Sete anos depois, em 5 de dezembro de 1815, dom João VI assinou o decreto que transformou Maceió em uma Vila independente.
Até ali a cidade integrava a Vila das Alagoas, cuja sede ficava na hoje Marechal Deodoro.
A população crescia e em 29 de dezembro de 1816, diz o registro, 5 mil maceioenses já viviam aqui.
Para ser Vila, porém, a lei portuguesa exigia que Maceió tivesse Pelourinho, cadeia e câmara. E ela não tinha. Então os cidadãos mais abastados da Vila levantaram os recursos.
O Pelourinho e a câmara ficaram na praça central. Já a cadeia foi instalada na casa de um morador. E assim surgiu a Vila de Maceió.
Em 1817 a Capitania de Alagoas se separou da de Pernambuco.
Aproveitando a independência, a Vila de Maceió tentou ser a sede, a capital, da Capitania. Mas o povo que era da Vila das Alagoas, na hoje Marechal Hermes, e que também queria ser a sede do Poder, não aceitou.
O pai do (futuro) Marechal Deodoro da Fonseca (proclamador da República brasileira) comandou a resistência. E marchando em direção a Maceió começou aqui uma guerra civil.
Nessa confusão que não terminava mais, lá em outubro de 1839 o presidente da província deu um canetaço e autorizou a transferência do Poder para Maceió. Ele foi preso, claro. Mas Maceió foi declarada capital de Alagoas.
Hoje Maceió é considerado um local único no Brasil. Seu povo é sorridente, acolhedor, gosta de conviver, é fino e é tido como a população mais sofisticada e fina do nordeste.
Tem gastronomia própria. Tem os prédios mais lindos. É limpa. É segura. E esse clima de paraíso e suas praias de água mansa e limpa arrastam milhares de pessoas para cá o tempo todo.
Meus avós e pai nasceram aqui!
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NAS FOTOS:
Atualmente, cerca de 250 jangadeiros estão autorizados a realizar o transporte de turistas para as piscinas naturais de Pajuçara, em Maceió. A atividade é um dos passeios mais tradicionais da capital alagoana, com os barcos partindo da orla de Pajuçara em direção aos recifes durante a maré baixa.