Entenda o que são ondas Kelvin e como elas podem sinalizar a formação do El Niño

28/04/2026
Fonte: GZH / Imagem: NASA/NOAA

Fonte: GZH / Imagem: NASA/NOAA

Antes de o fenômeno El Niño se estabelecer, o Oceano Pacífico começa a apresentar temperaturas acima da média na faixa equatorial do planeta. Essa “prévia” é chamada de ondas Kelvin: estruturas oceânicas gigantescas e invisíveis a olho nu que transportam calor em direção à América do Sul.

Na superfície, elas provocam uma elevação de cinco a 10 centímetros, mas sua extensão lateral pode atingir centenas de quilômetros. O movimento é monitorado por satélites da Nasa (agência espacial dos Estados Unidos) e da Agência Espacial Europeia, que medem as variações no nível do mar. O nome homenageia o físico Lord Kelvin, que descreveu como a rotação da Terra confina certos tipos de ondas no equador.

Já o El Niño é o aquecimento igual ou superior a 0,5°C da água do Pacífico na região equatorial. Quando está ativo, o planeta costuma registrar calor acima da média. O fenômeno ocorre com frequência que varia de dois a sete anos. No Brasil, costuma causar mais chuva no Sul – incluindo o Rio Grande do Sul – e seca no Norte e Nordeste.

O último episódio, entre 2023 e 2024, coincidiu com as chuvas históricas e enchentes registradas em diversos município do Estado naquele período.

 

Confirmação de onda em curso

Segundo a Nasa, dados de satélite confirmam uma onda Kelvin em curso que se assemelha a eventos de intensidade moderada ocorridos nas últimas três décadas. Episódios de El Niño como os de 1997 e 2015 apresentavam ondas maiores nesta mesma época.

No entanto, em comunicado na sexta-feira (24), a Organização Meteorológica Mundial (OMM) informou que há alta confiança de que o El Niño comece ainda em 2026, com potencial para ser um evento forte, embora as previsões fiquem mais precisas após o fim de abril. As informações são do g1. Conforme a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) dos Estados Unidos, há uma probabilidade de 61% de que o El Niño surja no período de maio a julho de 2026.

Uma onda Kelvin isolada, porém, não garante a consolidação do fenômeno. Para que o El Niño se estabeleça, é necessário um ciclo de retroalimentação entre o oceano e a atmosfera. Os ventos alísios, que normalmente sopram de leste para oeste, mantêm a água quente perto da Ásia. O fenômeno só ocorre quando esses ventos enfraquecem, permitindo que a água quente retorne para o leste. Esse aquecimento enfraquece ainda mais os ventos, criando um ciclo contínuo.

Se esse acoplamento entre mar e ar não ocorrer, o calor pode se dissipar. Especialistas afirmam que os meses de maio e junho serão decisivos para definir a intensidade e o impacto real do fenômeno no clima global.


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Calor e sensação de abafamento marcam a semana (Foto: Octacílio Freitas Dias)

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