Fonte: Polícia Civil de Dois Irmãos / Foto: JDI
A Delegacia de Polícia de Dois Irmãos alerta a comunidade para o aumento de casos do chamado golpe do falso advogado ou falso escritório de advocacia. Nos últimos dias, a prática tem sido recorrente, causando prejuízos expressivos às vítimas. Somente na DP de Dois Irmãos, já foram registrados casos com perdas superiores a R$ 100 mil.
O golpe se aproveita da confiança que as pessoas depositam em seus advogados e do conhecimento dos criminosos sobre processos judiciais em andamento. Com informações verdadeiras sobre ações, partes envolvidas, valores discutidos e decisões judiciais, os estelionatários conseguem construir abordagens convincentes, fazendo com que a vítima acredite estar em contato com seu advogado ou com integrantes do Poder Judiciário.
Como os criminosos atuam
Na abordagem inicial, os golpistas entram em contato por telefone ou aplicativo de mensagens, apresentam-se como advogados ou representantes de escritórios de advocacia e informam que a pessoa obteve uma decisão judicial favorável, com valores a receber.
Para conferir credibilidade à história, mencionam detalhes reais do processo, como número da ação, nome das partes, tribunal, vara judicial e valores envolvidos. Essas informações podem ser obtidas por meio de consultas a dados processuais disponíveis nos sistemas judiciais ou de outras formas ilícitas de acesso a informações e credenciais. Em algumas situações, os criminosos utilizam perfis falsos ou se passam por profissionais verdadeiros para obter informações adicionais.
A partir daí, geralmente são empregadas duas estratégias.
A primeira, e mais comum, consiste na cobrança de uma falsa taxa para liberar o dinheiro. A vítima é informada de que precisa pagar determinado valor para que a quantia reconhecida judicialmente seja transferida para sua conta. Os criminosos podem utilizar justificativas como pagamento de impostos, custas, tarifas de liberação ou outras supostas exigências burocráticas.
A orientação é clara: desconfie de qualquer pedido inesperado de pagamento para liberar valores de um processo judicial. A existência de uma decisão favorável não significa que o beneficiário precise fazer um depósito para receber o dinheiro. Eventuais despesas ou obrigações legítimas devem ser verificadas diretamente com o advogado responsável, por canais confiáveis e independentes do contato recebido.
A segunda estratégia busca obter acesso à conta bancária da vítima. Nesse caso, o criminoso solicita a confirmação de dados bancários, orienta a pessoa a abrir o aplicativo do banco ou a realizar determinados procedimentos no celular ou computador. Sob o pretexto de concluir a transferência judicial, a vítima acaba revelando informações sensíveis, autorizando operações ou permitindo, em determinadas situações, o acesso remoto ao dispositivo.
Com isso, os estelionatários podem realizar transferências, contratar empréstimos e efetuar outras operações financeiras em nome da vítima, dependendo das informações obtidas e das permissões concedidas.
Falsas chamadas de vídeo tornam o golpe ainda mais convincente
A sofisticação das abordagens é outro motivo de preocupação. Os criminosos conseguem falsificar a identificação de chamadas, fazendo com que o número exibido na tela do celular seja igual ou semelhante ao contato verdadeiro do advogado. Também podem utilizar imagens, fotografias e perfis falsos para reforçar a aparência de legitimidade.
Em situações mais elaboradas, realizam chamadas de vídeo nas quais aparecem como se estivessem em uma sala de audiência, acompanhados de pessoas que simulam ser juízes, servidores ou outros profissionais do Judiciário. Há, ainda, relatos de criminosos que fazem uma segunda ligação, apresentando-se como escrivães ou servidores da vara judicial, para confirmar a suposta liberação dos valores e pressionar a vítima a cumprir as instruções.
Esses recursos demonstram que não basta confiar no número que aparece na tela, na imagem de perfil ou mesmo na aparência de uma chamada de vídeo. Todos esses elementos podem ser manipulados.
A Polícia Civil também orienta que as pessoas jamais cliquem em links suspeitos, instalem aplicativos indicados por desconhecidos ou forneçam senhas e códigos de verificação recebidos por SMS ou aplicativos. Dependendo do procedimento utilizado pelos criminosos, essas ações podem permitir a invasão de contas, o sequestro de sessões ou o controle remoto do aparelho. Um código de verificação não deve ser compartilhado com terceiros.
Prevenção é a principal forma de evitar o prejuízo
O delegado Felipe Borba, titular da Delegacia de Polícia de Dois Irmãos, destaca que a prevenção é fundamental diante da complexidade desse tipo de fraude.
“Os criminosos estão cada vez mais preparados e utilizam informações verdadeiras dos processos judiciais para convencer as vítimas de que estão falando com seus próprios advogados. Por isso, é essencial desconfiar de qualquer pedido inesperado de pagamento ou de procedimentos bancários apresentados como condição para receber valores de um processo”, alerta o delegado.
Borba também ressalta que a investigação desses crimes pode ser bastante complexa, especialmente quando os valores são rapidamente transferidos para outras contas ou movimentados por diferentes intermediários, o que torna a recuperação do dinheiro difícil e, em muitos casos, improvável.
“Orientamos que as pessoas mantenham contato com seus advogados pelos canais habituais e, diante de qualquer dúvida, encerrem a ligação ou a conversa e procurem o escritório por um telefone já conhecido. Não utilizem números ou links fornecidos durante a abordagem suspeita. Antes de fazer qualquer pagamento ou realizar uma operação bancária, confirmem diretamente com o profissional de confiança a real necessidade daquele procedimento”, recomenda.
O que fazer se você for vítima
Quem perceber que foi enganado ou já tiver realizado um pagamento deve agir imediatamente:
– Contate o banco sem demora, utilizando os canais oficiais, informe a fraude e solicite as medidas cabíveis para tentar bloquear ou recuperar os valores.
– Se o pagamento foi realizado por PIX, conteste a transação junto à instituição financeira e solicite a abertura do Mecanismo Especial de Devolução (MED), quando aplicável. A devolução não é garantida e depende das circunstâncias e da disponibilidade de recursos nas contas envolvidas.
– Registre uma ocorrência policial, apresentando comprovantes de pagamentos, conversas, números de telefone, dados das contas destinatárias, links recebidos e demais informações disponíveis.
– Se houver suspeita de acesso ao celular ou computador, interrompa o uso do dispositivo para operações bancárias, contate o banco por outro aparelho seguro e procure auxílio técnico para verificar e remover eventuais aplicativos ou acessos indevidos. Altere as senhas comprometidas e encerre sessões suspeitas.
A Delegacia de Polícia de Dois Irmãos reforça que a população deve permanecer atenta e compartilhar o alerta com familiares, especialmente pessoas que estejam aguardando decisões judiciais ou recebimentos decorrentes de processos.
Em caso de dúvida, não faça pagamentos nem siga instruções recebidas por telefone ou mensagem. Encerre o contato e confirme as informações diretamente com seu advogado, por um canal de comunicação previamente conhecido.