William Rossa: campeão de motovelocidade!

18/03/2026
Ele hoje é considerado nas pistas de corrida um dos melhores pilotos do Rio Grande do Sul (Fotos: Divulgação)

Ele hoje é considerado nas pistas de corrida um dos melhores pilotos do Rio Grande do Sul (Fotos: Divulgação)

William Rossa nasceu em Dois Irmãos e, desde cedo, foi se destacando no mundo das competições.

Inicialmente, no Muay thai, forma de exercício e luta no qual gastou sua energia entre os 18 e 19 anos.

Dos 20 anos em diante, saltou para o Jiu-jítsu. Aliou-se ao instrutor Mestre Sapão, que pertence ao grupo de Jiu-jítsu da famosa família Grace, e entre treinos e seminários começou a buscar graduação para concorrer, quem sabe, ao Mundial de Jiu-jítsu.

Treinou na modalidade por 3 anos, sempre se destacando, participando de torneios e estando um passo à frente. Mas luta é luta e corpo é corpo, e por mais forte que seja, segue sendo frágil. E foi numa dessas volteadas que William acabou se lesionando feio.

Uma tendinite violenta, que chegou a lhe impedir os movimentos do braço direito e, a seguir, do esquerdo, encerraria sua pretensão de crescer no Jiu-jítsu.

 

William fez fisioterapia, se esforçou, buscou solução, mas o problema era tão grave que ele nem mesmo uma xícara de café conseguia levantar.

Até então, ele inclusive competia com supinos, e ganhava, mas com a lesão tudo isso foi por terra.

Lutar ele não podia. Fazer supinos, também não. Estava com 25 anos de idade e, não podendo mais competir porque a força faltava nos músculos, ele seguiu perto das academias. Passou a trabalhar como “personal”, ajudando outras pessoas a treinar. Mas não se conformava. Estava triste.

A energia seguia no corpo e o William lembrou que aos 12 anos havia ganho do pai uma Garelli. “Na época”, contou ele, “fiquei bem louco, andava por tudo, parecia ter conquistado a liberdade”.

A Garelli foi substituída aos 18 anos, quando ele já tinha carteira de motorista, por uma RD350. Essa moto era conhecida entre os motoqueiros pelo apelido de “viúva negra”, porque deixava muita mulher viúva. “É que ela acelerava muito”, disse William “mas tinha pouco freio, e isso acaba causando vários acidentes”.

 

Com o problema muscular que lhe impedia o Jiu-jítsu, William passou a pensar e concluiu que deveria trocar a força muscular pela força do motor.

Começou, então, a pensar em competir em corridas de motocicleta. E do pensamento até a prática foi um pequeno passo. Comprou uma Kawasaki Ninja 250 e falando com a Equipe FPR, de Nova Petrópolis, já foi se inscrever nos campeonatos que apareciam.

Sua vida começava a mudar. A brincadeira com moto passava a ficar séria, agora oficialmente competitiva, e foi assim que William Rossa passou a ser visto com frequência em autódromos como o Velopark, Tarumã, Guaporé, Santa Cruz e no Uruguai, onde competia pelo Campeonato Estadual de Motocicleta.

Entrou nas competições. E foi disposto a se destacar. Já em 2022, o primeiro ano em que participou, William levantou a taça e ficou Campeão Gaúcho na sua categoria.

Nessa época, passou a estudar tudo o que podia sobre motociclismo profissional. E ele lembra que a corrida não é só aceleração, frenagem e curvas.

“Corrida tem tudo a ver com tempo, por exemplo, com a umidade do ar, com a temperatura, com o combustível, com resistência de pneus (que duram uma corrida, no máximo) e tudo pode te tirar ou te dar mais velocidade”, disse ele.

“Quando corremos em Guaporé, por exemplo, que é um circuito de maior altitude, a potência da moto cai”, diz William, lembrando que a disputa na pista de corrida é por segundos, “as vezes décimos de segundos quando a velocidade vai acima de 200 km por hora”.

 

O empenho dele começou a valer a pena. Em 2023, já disputando na categoria profissional, William novamente ficou campeão, e desta vez na 250 Pró.

Em 2024 ele disputou por duas categorias. Até então, estava na 250, mas durante aquele campeonato, em uma corrida no Uruguai a moto dele quebrou. William então comprou uma 750cc e, naquele mesmo ano, competiu também pela categoria de 600cc. Como os pontos são corridos e ele concorreu por ambas, acabou não ganhando o Campeonato, mas se habilitou para, agora, correr pela categoria de 600 cilindradas, onde as motos praticamente voam.

 

Em 2025 ele concorreu a temporada toda pela categoria 600 cilindradas. Disputou o Sul Brasileiro. É um campeonato concorridíssimo e do qual participam pilotos vindos de diversas partes do mundo. A maioria dos que disputam nessa faixa treinam diariamente, tem ótimos patrocínio e recursos que William ainda não tem. Mas, mostrando seu valor, mesmo disputando contra equipes profissionalíssimas, William acelerou e sagrou-se vice-campeão do Sul Brasileiro de moto velocidade na categoria 600cc.

 

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Inspirado pelas vitórias, que o colocam, hoje, como o provável melhor piloto de moto do Rio Grande do Sul, William decidiu se profissionalizar. Comprou a Equipe FPR (Falcon Power Racing), junto com a qual vieram 7 motos e um motor home, e passou a não só correr como, também, a dar treinamento para jovens pilotos.

A ideia de ter sua própria equipe e de treinar jovens pilotos se deve à experiência de vida do William. Desde garoto ele andava pela BR-116, mas a alegria da estrada era, de vez em quando, substituída pela tristeza de ver que muitos amigos “ficavam na estrada” devido às peripécias e manobras muito arriscadas das quais as manchetes aqui do Jornal Dois Irmãos com frequência mostram.

Ao se dar conta disso e querendo ajudar a quem está começando ou quer se aperfeiçoar, William criou a Escola de Pilotagem William J. Rossa, com vários cursos para jovens motoqueiros. E os convida a fazer corridas conscientes, menos arriscadas para eles e para os que estão na estrada.

 

Para dar os cursos, William fez uma parceria e aluga o Kartódromo Tomazini, em Gramado, e lá ele ministra os cursos iniciais, com moto de velocidade mais baixa, entre 250 e 300cc, que não dependem de velocidade e sim de técnica.

 

Os cursos se dividem em 3:

1- Clínica de Pilotagem, que ocorre com 10 pessoas ou mais e é das 8 às 14h, num total de 6 horas.

2- Curso de Pilotagem, que é para no máximo 6 pessoas e é das 8 às 14h, num total de 6 horas.

3- Curso Personal de Pilotagem, que ocorre em autódromo e onde as aulas são apenas entre William e o aluno, num tempo que normalmente é entre 8 e 17h.

 

William é um talento genuíno de Dois Irmãos. Os campeonatos de motovelocidade estão cada vez mais no interesse da mídia televisiva e escrita. Ele ainda não tem muito patrocínio, mas levar o nome de Dois Irmãos e de empresas que desejem entrar nesse circuito é um desejo do jovem e já muito bem-sucedido piloto dois-irmonense.

E é assim que ele leva a vida, tem sua própria escola de pilotagem e é também proprietário e professor da academia Athena. Em seu plano sobre rodas, está correr o Sul Brasileiro e o Campeonato Gaúcho, e, talvez, uma etapa do Brasileiro em Interlagos.


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