(Fotos: Divulgação)
A bordo de um Fiat Uno 1.0 ano 2007, uma família do bairro Travessão, em Dois Irmãos, viajou 14 dias por seis províncias da Argentina, além de passar por Rivera, no Uruguai. Foram 4.500 quilômetros percorridos entre os dias 23 de dezembro de 2024 e 5 de janeiro de 2025.
Os protagonistas desta aventura são Caroline Mielke, 32 anos, o esposo Márcio Winck de Oliveira, 35, e as filhas do casal, Júlia Mielke de Oliveira, 6, e Isabela Mielke de Oliveira, 9.
Juntos, eles viajaram pela segunda vez para fora do Brasil com o carro da família. As aventuras, chamadas de “Missão Uno”, são compartilhadas no Instagram @missaouno e no canal do YouTube. Na primeira viagem, de 2023 para 2024, o destino foi Buenos Aires, também na Argentina.
Já em casa e com muitas lembranças para compartilhar, Caroline fala da felicidade ao poder proporcionar experiências como esta para as filhas. “Abrimos mão de muitas coisas durante o ano para fazermos essa viagem e desfrutar desse tempo ao lado delas”, diz ela, destacando a importância de criar memórias ao lado dos filhos. Márcio ressalta, também, a oportunidade de conhecer novos lugares e culturas.
O destino inicial da viagem era o Chile, no entanto, segundo Márcio, houve uma mudança de planos devido ao tempo de espera para entrar no país. Seriam 7 horas para atravessar a fronteira.
A viagem
A família saiu de Dois Irmãos no dia 23 de dezembro de 2024. No carro, que passou por adaptações para a viagem, levaram alimentos, louças, roupas, cobertas, ferramentas e uma barraca. O porta-malas deu lugar a uma cozinha, onde foi preparada a maioria das refeições.
Com espírito aventureiro e a vontade de compartilhar momentos em família, os quatro seguiram viagem e conheceram cidades como San Jaime de la Frontera e Cidade de Colón, em Entre Ríos; Rosário e Sa Pereira, em Santa Fé; Rio Cuarto, em Córdoba; Villa Mercedes, em San Luís; e Luján de Cuyo e Uspallata, em Mendoza. “Passamos pelo Túnel de Cacheuta, pelo Lago de Potrerillos e aos pés da Cordilheira dos Andes”, conta Márcio, lembrando que também estiveram no Monumento Nacional a la Bandera e no estádio do Rosário Central, além de conheceram a província de Corrientes.
Na maioria das noites, a família dormiu em barraca, montada em campings ou em postos de combustível. Segundo Márcio, a maioria dos locais é preparado para receber viajantes, dispondo de boas estruturas para acampamento, inclusive banheiros. Nos 14 dias, apenas três noites foram em hotéis e locais reservados através do Airbnb. Deixando a Argentina, a família acampou três noites no Uruguai e depois iniciou a viagem de volta.
Eles elogiaram a hospitalidade argentina. “Eles recebem muito bem os brasileiros. Acredito que a rivalidade exista apenas ao futebol”, diz Márcio, contando que a família conheceu muitas pessoas que também estavam viajando, de bicicleta, motocicleta e motorhome, inclusive suíços.
Planejamento e organização
Caroline e Márcio estão juntos há 14 anos e costumavam aproveitar as férias com as filhas nos litorais gaúcho e catarinense. O desejo de se aventurar e conhecer outros países da América Latina surgiu após o casal acompanhar viagens de outras pessoas. Parceiros, passaram a planejar as viagens e organizá-las, sempre atentos às leis dos países, principalmente sobre documentações e equipamentos exigidos nos veículos.
O casal também se dedicou a aprender espanhol com a ajuda de um aplicativo e baixou mapas para utilizá-los off-line, devido a ausência de internet em grande parte da viagem. Segundo a família, o investimento nestes 14 dias de passeio foi de R$ 6 mil.
Segundo a família, a viagem foi muito tranquila. Eles elogiaram a segurança, a qualidade das estradas, as paisagens, como de rios e das plantações de girassóis, e a estrutura de parques e praças, principalmente nas pequenas cidades. “Todas as praças contam com Rede Wi-Fi”, comenta Caroline, destacando que era nestes locais que eles pesquisavam passeios e rotas, por exemplo.
Agora, eles já pensam na próxima aventura, que muito provavelmente deve ocorrer dentro do Brasil.
Um lar para voltar
Márcio conta que por um instante ele e a esposa cogitaram tornar-se viajantes. Viver viajando. No entanto, como cristãos, eles destacam a necessidade da vida em sociedade, na qual uns ajudam aos outros. “Por um momento imaginamos viver viajando, no entanto, nosso verdadeiro desejo é estar em sociedade, então, abandonar a nossa casa, a nossa vida, não faria sentido para nós”, reforça, destacando a importância do vínculo entre as pessoas. Segundo eles, é essencial ter um lar para voltar. “Me emocionei quando cheguei e vi a minha casa e os meus cachorros”, contou a pequena Júlia, dando força à fala dos pais.