Quem são os candidatos do RS? Número cai 27% e perfil tem mudanças em relação a 2022

18/08/2026
Fonte: GZH / Foto: Luiz Roberto/TSE

Fonte: GZH / Foto: Luiz Roberto/TSE

O Rio Grande do Sul terá 1.043 candidatos nas eleições de 2026, entre disputas para a Assembleia Legislativa, Câmara dos Deputados, Senado e governo do Estado. O número representa uma queda de 27,2% em relação a 2022, quando eram 1.433 nomes, e também é inferior ao registrado em 2018 (1.340) e 2014 (1.088).

O prazo para formalização das candidaturas terminou no sábado (15). Os registros ainda serão analisados pela Justiça Eleitoral, que poderá deferi-los ou indeferi-los. A redução no volume de candidaturas é puxada principalmente pelas disputas para deputado: federal 546 em 2022 – 454 em 2026; estadual: 830 em 2022 – 541 em 2026.

Segundo o cientista político e professor da Escola de Humanidades da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), Augusto Neftali de Oliveira, a queda está relacionada a um processo de reorganização partidária influenciado pela cláusula de desempenho, em vigor desde 2018.

A regra estabelece critérios mínimos de votação ou de eleição de deputados federais para que os partidos tenham acesso a recursos do fundo partidário e ao tempo de propaganda no rádio e na televisão.

Em 2026, os partidos precisam obter pelo menos 2,5% dos votos válidos para deputado federal, com um mínimo de 1,5% em nove Estados, ou eleger 13 deputados federais distribuídos por pelo menos nove Estados para cumprir os critérios da cláusula. Entre as estratégias adotadas pelos partidos nesse cenário estão as federações, além de fusões e incorporações.

Para Neftali, a regra faz parte de um esforço para diminuir a quantidade de partidos e tornar mais compreensível para o eleitor o conjunto de opções em disputa.

– Em 2014, o Brasil chegou a ser o país com o maior número de partidos parlamentares do mundo, ou seja, o país com a mais elevada fragmentação partidária na história das democracias. Essa foi uma situação muito grave e que foi trabalhada institucionalmente, com regras para conter a fragmentação partidária – observa ele.

Segundo o professor, a reorganização do sistema pode facilitar a identificação dos grupos políticos e o acompanhamento do trabalho dos eleitos. A cláusula de desempenho será ampliada gradualmente até 2030, quando chegará ao patamar de 3% dos votos válidos para a Câmara dos Deputados.

 

Mulheres são 53% do eleitorado, mas 35% das candidaturas

Os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que as mulheres seguem sub-representadas entre as candidaturas. Os homens representam 65% dos candidatos, enquanto as mulheres são 35%. Apesar do leve avanço em relação a 2022, quando eram 33%, o percentual ainda está distante da composição do eleitorado gaúcho, formado por 53% de mulheres.

O professor Augusto Neftali ressalta que a diferença se amplia ainda mais quando se considera os candidatos efetivamente eleitos. Na Câmara dos Deputados e no Senado, por exemplo, as mulheres representam apenas 18,1% e 19,8% dos atuais parlamentares, respectivamente.

A legislação estabelece uma cota mínima de 30% de candidaturas para cada gênero. Para o professor, no entanto, é preciso ir além da garantia de participação nas urnas e assegurar condições para que as mulheres tenham campanhas competitivas.

– Isso é feito por meio de políticas públicas afirmativas, garantindo não só o registro de candidaturas de mulheres, mas também que elas recebam os recursos dos partidos para fazerem suas campanhas de maneira adequada – afirma.

 

Escolaridade distancia candidatos e eleitores

A maior diferença entre o perfil de quem disputa a eleição e de quem vai às urnas no Estado aparece na escolaridade. Entre os candidatos, 59,16% têm ensino superior completo, percentual que era de 55% em 2022.

Entre os eleitores, os maiores grupos são formados por pessoas com ensino fundamental incompleto (26,71%), ensino médio completo (23,70%) e ensino médio incompleto (17,87%).

O cientista político observa que o ensino superior pode funcionar como um sinal de prestígio e competência aos olhos do eleitor. Além disso, profissões de maior status, como Direito, Medicina e Engenharia, podem facilitar a entrada na política ao oferecer redes de contatos e reconhecimento social.

Ao mesmo tempo, essa concentração de pessoas com maior escolaridade entre os candidatos e, principalmente, entre os eleitos, cria uma distância entre o perfil do representante político e o da população. Segundo o professor, isso pode dificultar que as necessidades de grupos com menor escolaridade sejam compreendidas na formulação de políticas públicas:

– Pode eventualmente levar a uma política pública decidida no parlamento que não necessariamente compreende de maneira adequada as necessidades e as dificuldades de grandes setores da população brasileira que até hoje não compõem o corpo de brasileiros com nível superior.

 

Candidaturas ficam mais jovens em 2026

A faixa etária predominante entre os candidatos também mudou. O grupo de 40 a 49 anos passou a ser o mais numeroso em 2026, enquanto em 2022 predominavam os candidatos de 50 a 59 anos.

Entre os eleitores, a faixa de 40 a 49 anos também é a mais numerosa, com 1.580.101 pessoas. Neste recorte, portanto, há maior aproximação entre o perfil de quem disputa e de quem vota.

O professor vê na mudança um possível sinal de renovação geracional, embora ressalte que o sistema político ainda tende a favorecer a eleição de candidatos mais experientes.

 

Maioria dos candidatos se declara branca

Neste ano, 80,35% dos candidatos no RS se autodeclaram brancos, percentual próximo ao registrado em 2022, quando eram 79,9%. Entre os eleitores, o índice é de 74,37%.

Já a participação de candidatos autodeclarados pretos caiu de 11,24% para 9,59%. Entre os eleitores, 7,79% se declaram pretos e 17,10%, pardos.

Para Neftali, porém, a variação de cerca de dois pontos percentuais na participação de candidatos pretos é pequena e, isoladamente, não permite apontar uma mudança consistente de tendência.


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