Fonte: O Globo / Foto: Pixabay
O risco de sofrer um ataque de tubarão, ser atingido por um raio ou enfrentar uma forte turbulência durante um voo faz parte do imaginário de muitas pessoas.
Apesar da repercussão que esses episódios costumam ter quando acontecem, especialistas e dados oficiais mostram que eles estão entre os eventos mais raros envolvendo casos fatais. Muitas vezes, as chances são significativamente menores do que as de acidentes cotidianos, como quedas ou colisões no trânsito.
A diferença entre a percepção e a realidade é explicada, em parte, pelo impacto emocional e pela ampla divulgação desses acontecimentos. O fenômeno faz com que eventos raríssimos pareçam mais frequentes do que realmente são.
Viajar de avião
Embora acidentes aéreos costumem ganhar repercussão mundial, a aviação comercial, que são aqueles voos domésticos comuns nos aeroportos, realizados diariamente por grandes empresas aéreas, é considerada um dos meios de transporte mais seguros do mundo.
Dados da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata) e da Organização da Aviação Civil Internacional (Oaci) mostram que a taxa de acidentes fatais é extremamente baixa em relação aos milhões de voos realizados todos os anos.
Em 2025, houve 38,7 milhões de voos comerciais no mundo. Foram registrados 51 acidentes em todos esses voos, o equivalente a 1,32 acidente por milhão de voos — ou aproximadamente um acidente a cada 759.646 voos. Desses acidentes, 8 foram fatais. A expressão “1 em 1 milhão” se aplica perfeitamente neste caso.
– Os óbitos foram impulsionados por um pequeno número de eventos de alta gravidade, demonstrando que o risco para a segurança da aviação está cada vez mais concentrado em incidentes raros, porém graves, em vez de falhas operacionais sistêmicas. Apesar das flutuações de curto prazo, o risco de fatalidade permanece extremamente baixo e a trajetória de segurança a longo prazo continua a melhorar – declarou a Iata no ano passado.
Turbulência
A turbulência está entre os maiores temores de passageiros, mas dificilmente provoca acidentes fatais. Segundo dados da Federal Aviation Administration (FAA) e do National Transportation Safety Board (NTSB) dos Estados Unidos, a maior parte dos ferimentos ocorre porque passageiros ou tripulantes estão sem o cinto de segurança durante episódios de turbulência. Por isso, a recomendação é manter o cinto afivelado sempre que estiver sentado.
Montanhas-russas
Apesar da sensação de perigo, as montanhas-russas estão entre as atrações recreativas mais seguras. Segundo dados da Associação Internacional de Parques de Diversões e Atrações (Iaapa), mais de 385 milhões de visitantes realizam cerca de 1,7 bilhão de viagens por ano em parques fixos da América do Norte, e a chance de uma lesão grave é de apenas uma a cada 15,5 milhões de viagens.
Um estudo publicado na revista Injury Prevention com dados da Comissão de Segurança de Produtos de Consumo dos EUA analisou os acidentes entre 1994 e 2004 nos Estados Unidos e concluiu que foram registradas 40 mortes em dez anos (média de quatro por ano). Dessas, 29 eram visitantes e 11 eram funcionários. Entre os visitantes, 18 mortes estiveram relacionadas a condições médicas preexistentes agravadas pela atração (como hemorragias cerebrais ou problemas cardíacos), enquanto 11 decorreram de quedas ou colisões.
Quatro mortes por ano em 1,7 bilhão de viagens realizadas por ano mostram que a cada 425 milhões de passeios em montanhas-russas, um resultou em morte.
Ataque de tubarão
Ataques de tubarão, por mais impactantes que sejam, continuam sendo extremamente incomuns. O International Shark Attack File, banco de dados mantido pelo Florida Museum of Natural History, registra, em média, entre 70 e 80 ataques não provocados por ano em todo o mundo, dos quais cerca de cinco a dez são fatais. Pesquisadores ressaltam que os ataques geralmente decorrem de confusão do animal, e não de comportamento predatório direcionado a humanos.
No Brasil, as chances desse acontecimento são ainda menores. Os Estados Unidos abrigam a “capital mundial dos ataques de tubarão” (por exemplo, New Smyrna, Flórida; embora seguida de perto pela África do Sul e Nova Gales do Sul, Austrália). Para comparar os riscos nas praias, em média, 3.300 pessoas se afogam a cada ano nos Estados Unidos, enquanto os ataques de tubarão afetam apenas cerca de 91 pessoas e, em média, apenas 1 desses casos é fatal.
Mordida de aranha venenosa
Embora algumas espécies possuam veneno capaz de causar complicações graves, as mortes são incomuns em países que dispõem de atendimento médico e soros específicos. Na maioria dos casos, o tratamento precoce reduz significativamente o risco de desfechos fatais.
Um estudo realizado no Paraná com mais de 20 mil casos de acidentes por aranha-marrom registrou sete mortes, o equivalente a uma taxa de letalidade de 0,03%.