Shows drive-in têm buzinas no lugar de aplausos, estranhamento de artistas e cachês mais baixos

01/07/2020
Fonte: G1

Fonte: G1

Em vez de palmas e gritos, o som das buzinas e o piscar dos faróis estão dominando as plateias dos primeiros shows no Brasil após a pandemia da Covid-19. No mês passado, Ivo Meirelles, Jota Quest e Leo Chaves se apresentaram para plateias cheias... de carros. Belo, Roupa Nova, Nando Reis, Anavitória e Turma do Pagode também têm shows no formato drive-in agendados para as próximas semanas.
O projeto com mais shows marcados é o Arena Sessions, com eventos variados e apresentações musicais no Allianz Parque, em São Paulo. A capacidade é de 285 carros, com 130 na área vip. Mesmo com preço de até R$ 550 por carro, os ingressos sempre se esgotam. Mas antes de o estádio do Palmeiras virar o maior espaço deste “novo” tipo de show, outros artistas já tinham se aventurado em junho. Ivo Meirelles se apresentou no espaço Arena Estaiada, perto da ponte de mesmo nome, em São Paulo, no dia 25. “Quando você entra no palco, não tem aplauso e nem buzina tem. Tem um estranhamento ali”, diz o cantor ao G1. “Depois da segunda, terceira música, segue normal, com todo mundo já entendendo. Mas subir ao palco foi bem estranho”.
Aos artistas que ainda vão se aventurar pelo esquema drive-in, o sambista dá uma dica: “Tem que se concentrar no show. Cada carro tem uma, duas, três pessoas vendo. Então, tem que fazer o show imaginando o semblante das pessoas nos faróis. Tem que estar focado nisso para não se perder”.


Quanto vale o show?
O formato não é mais o mesmo, e o cachê também não. O cantor garante que nestes tempos de crise “todo mundo tem que se flexibilizar em relação a cachê”. “A flexibilização é geral. Está todo mundo perdendo alguma coisa: os artistas, os músicos, a plateia que vai de carro. O motorista não pode beber. Você não pode ir de Uber ou de táxi, então tem sempre alguém se sacrificando”, diz Ivo Meirelles.
Doreni Caramori, presidente da Associação Brasileira de Promotores de Eventos (ABRAPE), diz que é natural que exista uma adaptação na parte econômica com essa “nova realidade” do drive-in. “O produtor não vai ter a mesma margem, a pessoa que aluga equipamentos não vai ter a mesma remuneração e os fornecedores como um todo vão ter que se adaptar. Vão ter que criar modelos diferentes, mais do que uma sessão, custos mais enxutos. Alguns não vão topar nessa condição. É mais uma alternativa de negócio”, explica Caramori.
Com menos ingressos disponíveis, a tendência é que seja mais difícil para produtores “fecharem a conta”. Eventos drive-in podem se tornar dependentes de patrocínios para dar conta dos gastos com artistas do primeiro time e com a estrutura. “Em um formato novo, não só se espera valores diferentes dos praticados, como também, a aposta de novos ‘players’ como marcas”, analisa Guilherme Marconi, diretor da produtora Diverti.


“Muito mais legal do que eu podia imaginar”
Em sua primeira apresentação após mais de 100 dias longe dos palcos, o Jota Quest tocou para carros no estádio do Palmeiras. “Muito mais legal do que eu podia imaginar. A gente vive dessa energia. Pela primeira vez na vida eu gostei de um buzinaço”, disse Rogério Flausino, em entrevista ao programa Encontro com Fátima Bernardes. “Te lembra trânsito lotado, aquela confusão, estresse, aqui não... foi o contrário, quando foi o primeiro, eu falei: ‘é isso aí, galera, continua’”.
Em qualquer desses shows, estar dentro do carro não anula os cuidados básicos para a prevenção do coronavírus. É preciso usar máscara e higienizar as mãos com álcool gel. A equipe do estádio usa bastões luminosos, como nos cinemas drive-in, para orientar os carros e indicar onde há vagas. Há pequenas caixas de som ao lado de cada vaga. Para ir ao banheiro, tem que se comunicar com a equipe do evento, por celular. Também é possível usar o telefone para pedir comidas e bebidas.
Também deve ser levada em conta a estrutura para um evento de cerca de mil pessoas. Há outros profissionais envolvidos na produção, da parte de prestação de serviços (segurança, limpeza, produção, vendas) e da estrutura do show (equipe técnica, banda).


Onde ver os shows drive-in


Arena Sessions (São Paulo)
Allianz Parque - Av. Francisco Matarazzo, 1705 - Água Branca, São Paulo
Capacidade: 285 carros
Ingressos de R$ 250 a R$ 550 (por carro) pelo site Sympla
– Turma do Pagode: 3 de julho (sexta)
– Patati Patatá: 11 de julho (sábado) e 12 de julho (domingo)
– Marcelo D2: 11 de julho (sábado)
– Anavitória: 17 de julho (sexta)
– Nando Reis: 19 de julho (domingo)


O público deverá seguir regras durante a apresentação:
– Todas as pessoas devem usar máscaras mesmo dentro do carro;
– Todos terão a temperatura aferida no acesso e só serão liberadas apenas pessoas com temperatura inferior à 37,5º; 
– Carros ficaram estacionados a uma distância de 2 metros do outro;
– É obrigatório que todos permaneçam dentro do veículo;
– Janelas podem ficar abertas, mas o público não pode colocar braços, cabeça ou qualquer outra parte do corpo para fora.


Espaço Hall (Rio)
Av Ayrton Senna, 5850, Rio de Janeiro
– Roupa nova: 10 de julho (sexta-feira), às 21h
Belo: 11 de julho (sábado), às 21h
Capacidade de veículos: 400 carros
Ingressos de R$ 200 a R$ 200 por carro pelo site Ingresso Rápido


Poa Festival (Porto Alegre)
Estacionamento da EPTC, ao lado do Estádio Beira-Rio
– Maurício Manieri: 4 de julho (sábado), às 20h
– Duca Leindecker: 5 de julho (domingo), às 19h
Ingressos: a partir de R$ 100 por carro pelo site Ingresso Rápido


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