Fonte: Assessoria de comunicação / Foto: Pixabay
O endividamento das famílias brasileiras permaneceu em 82% em agosto, o sétimo mês consecutivo em nível recorde. No mesmo período, a inadimplência chegou a 29,9%, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
O cenário exige atenção redobrada com a aproximação das datas comemorativas e do período de maior consumo do ano. De acordo com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), no ano passado, em valores absolutos, o Dia das Crianças movimentou quase R$ 10 bilhões no varejo brasileiro.
Com a Black Friday e as compras de fim de ano também no horizonte, o planejamento do orçamento familiar pode ajudar a evitar que presentes e outras despesas sazonais sejam pagos com crédito acima da capacidade de pagamento.
“Antes de escolher o presente, é importante verificar quanto a família pode gastar sem comprometer as despesas essenciais e os compromissos já assumidos. O planejamento ajuda a reduzir as compras por impulso e evita que uma decisão de curto prazo gere parcelas para os meses seguintes”, afirma Renato Costa, educador financeiro do Sicoob.
Para evitar que o presente vire um problema financeiro, o Sicoob recomenda:
1. Defina o valor antes de escolher o presente
Estabelecer um valor máximo com base na realidade financeira ajuda a manter a compra dentro do orçamento e reduz o risco de o consumidor aumentar a despesa por impulso durante a pesquisa de preços.
2. Olhe para as parcelas já existentes
Uma nova prestação pode parecer pequena quando analisada isoladamente, mas deve ser somada aos demais compromissos que já ocupam a renda dos próximos meses. O importante é avaliar o impacto do conjunto de parcelas no orçamento familiar.
3. Não comprometa a reserva para manter o padrão de consumo
A reserva deve ser mantida para situações emergenciais. Para despesas não essenciais, como presentes e compras de datas comemorativas, o ideal é planejar o gasto com antecedência, sem utilizar o dinheiro destinado a imprevistos.
4. Transforme o planejamento em hábito
Pesquisar diferentes opções e observar o custo total da compra, e não apenas o valor da parcela, ajuda a identificar alternativas mais adequadas ao orçamento. Quando possível, o pagamento à vista pode evitar o acúmulo de compromissos futuros, desde que não comprometa as despesas básicas nem a reserva de emergência.
5. Revise o orçamento e planeje os próximos objetivos
Antes mesmo das compras, vale revisar o orçamento, acompanhar os compromissos futuros e avaliar o que pode ser ajustado para as próximas datas comemorativas. Com as contas organizadas, fica muito mais fácil planejar os objetivos e destinar os recursos para conquistá-los sem desequilibrar o orçamento.
Se você ainda não tem uma reserva de emergência ou percebe que o orçamento está desequilibrado, este pode não ser o melhor momento para assumir novas despesas. Antes de gastar, vale direcionar a atenção para a organização das finanças e para a construção de uma base mais segura.
Isso não significa, porém, deixar de demonstrar carinho ou celebrar momentos especiais. Se quiser presentear alguém, por exemplo, é possível recorrer a alternativas que não pesem no bolso: escrever uma mensagem especial, preparar um cartão ou oferecer algo feito por você. Muitas vezes, o valor de um presente está mais no significado do que no preço.
E se a vontade for de se presentear, exercite a paciência. Organizar a vida financeira também é uma forma de cuidar de si. Com planejamento e equilíbrio, chegará o momento de fazer essa escolha com mais tranquilidade, sem comprometer o orçamento.
Essa orientação faz parte de um trabalho mais amplo do Sicoob para ampliar o acesso à educação financeira. Um dos principais braços dessa atuação é a Plataforma Clínicas Financeiras Virtuais do Instituto Sicoob, que oferece atendimento individual e gratuito, por orientadores financeiros voluntários do Sicoob.
Os atendimentos abrangem orçamento pessoal e familiar, endividamento, renegociação de dívidas, imposto de renda, investimentos e empreendedorismo.
“A construção de patrimônio começa quando o consumidor consegue planejar os gastos, lidar melhor com o crédito, evitar dívidas que comprometam sua renda e criar espaço no orçamento para poupar e investir. É esse comportamento que queremos estimular, por meio da educação financeira”, completa Renato Costa.